O individualista, como nós o concebemos, ama a vida e a força. Proclama e exalta a alegria de estar vivo. Reconhece sinceramente que tem por objetivo a sua própria felicidade. Ele não é um asceta, e a mortificação da carne o repugna. Ele é um apaixonado. Vive e segue adiante em êxtase com sua vida cantando saborosamente como se estivesse acompanhado de Pan. Comunica-se com a natureza através de sua energia e estimula seus instintos vitais e seus pensamentos. Não é jovem nem velho. Tem apenas a idade que sente. E enquanto cair uma nova gota de sangue em suas veias, combaterá com espírito renovado para conquistar o seu lugar ao sol.
Não se impõe, e não quer que os outros se imponham a ele. Repudia os que mandam e os deuses também. Sabe amar e sabe arrepender-se. Transborda de afeição por seus semelhantes, os de seu mundo, porém, horroriza-se com os seus falsos irmãos. É bravo e tem consciência de sua dignidade pessoal. Enche-se de afeto; se esculpe e por isso recria forças novas. Não se preocupa com pré-juízos e não interrompe a sua pessoa por aquilo que os outros dirão sobre ele. Gosta da arte, das ciências e das letras. Ama os livros, o estudo, a meditação e principalmente o trabalho.
É artesão. É generoso, sensível e sensual. Tem sede de experiências novas e sensações frescas. Avança à vida como um automóvel veloz, animado unicamente pela vontade de poder determinar a si mesmo a condição e o papel que irá desempenhar com sabedoria e com qual deleite poderá saborear a sua prazerosa e magnânima vida.
(Emile Armand)
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Nossa sociedade valoriza intensas trocas de sentimentos e idolatra as pessoas que se doam sem medida e incondicionalmente. Então, o individualista, que não se entusiasma em trocar, é visto com reservas. Trata-se de alguém que não espera muito dos outros e prefere dar pouco de si. Esse comportamento não é egoísmo, embora as pessoas cujas expectativas ele deixa de atender o vejam dessa forma.
Egoístas são os que defendem profundas trocas de experiências entre as pessoas para tirar vantagem, já que exigem muito e dão pouco. Como não sobrevivem sem isso, acusam de egoísmo quem não aceita as regras desse jogo de dar muito e receber pouco. O alvo em geral são os individualistas, que não se prestam a esse tipo de manobra. Aos egoístas não resta outra saída a não ser se aproveitar dos generosos – aqueles que não se importam em receber muito menos do que seu empenho em doar mereceria.
O egoísta diz “eu me amo” e gosta de apregoar que consegue suprir as próprias necessidades e ficar bem consigo mesmo. O objetivo desse discurso é esconder a vergonha que sente de sua total dependência – de atenções, de proteção, de companhia. Se fosse independente de fato, não precisaria tirar vantagem dos relacionamentos. Na verdade, gostaria de ser individualista, de ter força suficiente para bastar a si mesmo, de agüentar com dignidade as dores inerentes à vida, de poder escolher entre trocar ou não experiências. O individualista possui essa força, enquanto o egoísta o imita exibindo uma energia que não possui.
Por isso, o egoísta se apropria daquilo que não lhe pertence: precisa guardar uma cota extra para suprir sua incompetência em lidar com a vida. Faz isso não porque seja mau-caráter, mas porque é um fraco. Conhece suas limitações emocionais e padece de inveja dos que são verdadeiramente independentes. Tenta incorporar suas atitudes e até convence muita gente de sua independência. Mas não engana a si mesmo.
(Flávio Gikovate)
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Como atitude geral, o individualismo valoriza a liberdade pessoal, a autoconfiança, a privacidade e o respeito pelos outros indivíduos e opõe-se à tradição, à autoridade e a todas as formas de controle sobre o indivíduo, especialmente quando exercidas pelo estado.Teoria filosófica segundo a qual cada pessoa deve usufruir a máxima liberdade e responsabilidade para determinar seus objetivos, escolher os meios de alcançá-los e agir de acordo com tais pressupostos, o individualismo sustenta a autodeterminação, a auto-suficiência e a liberdade irrestrita do indivíduo.Como filosofia, o individualismo compreende um sistema de valores, uma teoria sobre a natureza humana e a aceitação de certas configurações(...).O individualismo opõe-se a todas as doutrinas políticas que dão prioridade às questões sociais: a sociedade não passa de um conjunto de indivíduos e cada um deles é uma entidade autônoma praticamente auto-suficiente.
(site geocities)
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