DOCE AMORa
Um dia quando estiver bem velhinha, irei sentar na rede da minha casinha branca, apoiando as mãos na renda lateral, e olharei para o horizonte. Nele verei crianças correndo, cavalos pastando, a chuva ameaçando cair das nuvens azuis acinzentadas e alargarei as bochechas com um sorriso de felicidade. Pensarei que a vida não foi fácil, nem pra mim nem para ninguém, mas carregarei a certeza de que vivi intensamente. Fecharei os olhos enrugados e respirarei profundamente o ar puro de um sitiozinho, escutando as tentativas de relinchar dos potros ainda desdentados. Abrirei vagarosamente os olhos e lembrarei de como eu era boba na juventude; achava que nada era por acaso, acreditava em destino e livros de astrologia, me culpava por tudo, queria mudar o mundo e fumava achando que cigarro era um bom companheiro. Como os jovens são bobos... Levantarei, agora apoiando as mãos nos joelhos, e caminharei até um pé de amora para colher-las, e nesse instante terei a sensação que, apesar dos erros e acertos na juventude, ainda existe dentro de mim algumas certezas das experiências dos velhos tempos... Nunca devemos abrir mão de nossos sonhos, a nossa paz interior vale mais que ouro, a maioria das pessoas não têm o valor que vendem, tudo deve sempre ser feito por querer e com prazer, o respeito e o dialogo são as chaves da evolução e o amor é o sentimento mais puro e eterno que existe e é extremamente corrompível... Com o avental dobrado e cheio de amoras, vou à cozinha e preparando uma deliciosa sobremesa, receberei um beijo e um afago nas costas acompanhados com uma linda frase: "Eu te amo e sempre te amarei".


