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"Existem duas dores de amor: A primeira é quando a relação termina e a segunda é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel. Quando a primeira dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por aquela pessoa.
Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Aquele amor, mesmo quando não retribuído, tornou-se um souvenir, lembrança de uma época bonita que foi vivida. Faz parte de nós. Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso livrar-se de algo que nos foi caro por muito tempo.
Esta segunda dor é uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a dor-de-cotovelo propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: "Eu amo, logo existo".
Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente… E só então a gente poderá amar, de novo."
(Martha Medeiros)

